sexta-feira, 29 de janeiro de 2010


O peso de estar só, fere os ombros e desgasta as energias de qualquer criatura com vida, os contrastes ainda são muito visíveis e os avanços quase que imperceptíveis aos olhos de quem vai remando. Afinal, parece mesmo ser uma longa jornada, quando aquela necessária solidão não se faz mais tão necessária assim, é que de maneira vagarosa a água em volta do barco seca, os peixes morrem e o chão racha. Mas isso não chega nem perto de ser um ou "o motivo" de alguma desistência, porque se antes era remando que se tentava sair do lugar, agora pode-se sentir a terra firme com os pés descalços, caminhando e deixando o barco com os remos para trás, e os braços cansados agora podem repousar, mas que por favor não descansem cruzados. Tudo é apenas uma pausa, e não o fim das lutas, para que se possa respirar mais lenta e profundamente, mesmo que te atirem flechas com veneno nas pontas, retire-a do peito antes de tudo, no lugar de ficar se perguntando quem atirou-a, que tipo de veneno era aquele ou se você realmente merecia aquela dor. Daí que a racionalidade continua a contribuir para a felicidade e vise-versa. Sempre é tempo de projectar novos sonhos.

[ Theo ]
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